Jornal O Globo conta história de ganês que luta por carreira no Atlético Tubarão
Atleta de 17 anos enfrenta a burocracia para conseguir se formalizar no futebol brasileiro.

Foto: Eduardo Valente/Agência O Globo
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Atleta de 17 anos enfrenta a burocracia para conseguir se formalizar no futebol brasileiro.

Foto: Eduardo Valente/Agência O Globo
O site do Jornal O Globo publicou, neste domingo (12), a história de Suleiman Abubakar, ganês refugiado no Brasil.
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Entrar no grupoO trajeto de Suleiman, órfão dos pais, começou ao deixar os avós e dois casais de irmãos gêmeos numa zona rural de Gana, para realizar o sonho de jogar futebol. Ele foi morar com um tio em outra cidade, que tinha escola e um clube. Mas o parente, agressivo e descontrolado, o maltratava. Suleiman disse ao O Globo que uma pessoa o ajudou a voar para o Brasil. Desembarcou no Rio de Janeiro em busca de uma comunidade ganesa que vive em Tubarão. Aí que ele foi enganado por um impostor, que o convenceu a viajar de ônibus por quatro dias até chegar ao Acre. Lá, foi roubado. Perdeu todos os seus documentos, o pouco dinheiro que tinha e o celular com os contatos dos parentes. A polícia o instruiu a retornar ao sul, onde foi acolhido por um abrigo em Criciúma e, depois, na instituição Bem Viver, em Tubarão. Sua sorte começou a virar quando o Peixe o aprovou como profissional.
A mais de 6.000km de casa, o adolescente que percorrera longo caminho até chegar à Cidade Azul é um dos que podem se beneficiar por uma recente decisão da Fifa, a respeito desse tipo de atleta. Agora, em caso de refúgio, o jogador poderá assinar contrato profissional tendo apenas a autorização da federação do novo país.
O problema é a burocracia. O Tubarão lhe ofereceu abrigo e assistência financeira, mas só pode formalizar a contratação depois que toda a documentação de Suleiman for regularizada, como imigrante e atleta. Ele teve pedido de refúgio enviado para o Comitê Nacional para os Refugiados, a quem caberá decidir se ele poderá ficar no Brasil. O problema é que tal processo pode levar até três anos e o rapaz não tem tanto tempo. Assim que fizer 18 anos, em 10 de outubro, Suleiman não poderá mais ficar no abrigo Bem Viver e precisará ter seu vínculo formalizado com o Tubarão para morar em seu alojamento.
"A gente trata desse caso específico como uma questão humanitária, mais até do que técnica. Hoje temos 80 atletas no nosso alojamento, e a ideia é trazê-lo e mantê-lo por alguns anos para ajudá-lo a se tornar um jogador. Se ele não conseguir, pelo menos terá sido uma contribuição para que se torne um cidadão", explicou Júnior Chávare, diretor de Operações e Novos Negócios da K2 Soccer, ao jornal carioca.
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Foto: Eduardo Valente/Agência O Globo[/caption]
Agora, o clube precisa do aval da Fifa para validar o refúgio do atleta. Depois, leva a documentação para a CBF. Só então o registro é feito. No Brasil, refugiados têm status similar ao de jogador nacional, portanto, não ferem a limitação de cinco estrangeiros por equipe. A medida foi adotada pela CBF em 2016 para estimular o abrigo de refugiados.
Enquanto aguarda, Suleiman treina no Tubarão e tenta se integrar aos demais jogadores. Mesmo com a aula de português uma vez por semana, frequentemente fica perdido em campo, sem entender as instruções. O treinador, então, o puxa de canto e passa orientações em inglês. Ele ainda luta contra a saudade. Retomou o contato com a família depois que o clube lhe deu acesso à internet. Disse ao O Globo que tem o sonho de se notabilizar como o gremista Ramiro, a quem é comparado, e vencer a última fronteira que traçou em Gana.
Com informações do Jornal O Globo.
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