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Nova Gestão Pública e a “Escola de Chicago"

Atualizado há 2 anos
Nova Gestão Pública e a “Escola de Chicago"

Foto: Reprodução

Nos últimos tempos estamos escutando manifestações sobre modelo econômico a ser adotado com ênfase no liberalismo econômico e que a equipe econômica do presidente eleito é da Escola de Chicago. Mas, antes devemos voltar um pouco no tempo e verificar algumas situações. No final dos anos trinta o economista inglês John Maynard Keynes (1883-1946) revolucionou a economia com seu livro General Theory of Employment, Interest and Money (Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda) de 1936. Neste livro Keynes fala sobre das causas do desemprego e que valor tem a moeda e o juro, introduzindo desta forma o fenômeno monetário no sistema econômico como uma função conjuntural. Keynes defendia a maior participação no Estado na economia e se opunha as ideias da Teoria Clássica da Economia (liberalismo de mercado). As ideias de Keynes, tiveram seu auge nos anos 1950-1960 e mais recentemente algumas de suas ideias foram defendidas no governo de Barak Obama. O declínio das ideias de Keynes veio na crise dos anos 1970, aonde surgiram pensadores na Universidade de Chicago que começaram a discutir as ideias de Keynes. Entre eles George Stigler e Milton Friedman, ambos ganhadores do Prêmio Nobel de Economia. Outros economistas como Friedrich Von Hayek e Gary Becker também fazem parte deste grupo, que começou a ser chamado de “Escola de Chicago”. A Escola de Chicago defende o monetarismo, o mercado de concorrência e que não deve existir intervenção e/ou interferência do estado na economia, utilizando por exemplo, as privatizações para atingir esse fim. Assim, a economia atingiria uma maior eficiência. Governos como do Chile em 1970 e os de Margareth Thatcher e Ronald Regan foram administrações que utilizaram as ideias desta Escola de Chicago. Estas administrações dos governos de Thatcher e Regan, assim dão início à Administração Pública Gerencial ou Nova Gestão Pública, que apresenta ênfase na redução dos gastos com pessoal e no aumento da eficiência governamental, o que implicava, na modificação do modelo weberiano (de Max Weber) até então utilizado, classificado como lento e excessivamente apegado a normas. A Nova Gestão Pública possibilita criar novas instituições legais e organizacionais que permitem gerenciamento profissional do Estado. Voltando ao inicio de nossa discussão, sobre a influência liberal e da Escola de Chicago no novo governo eleito, vejo como uma possibilidade salutar. Tivemos no antigo governo que tinha como base: aumento do gasto público, que atuava nas tarifas públicas (energia, gasolina), na oferta de crédito e usando uma “contabilidade criativa”, denominada nova matriz econômica, esse foi o modelo de gestão econômica. Foi um retrocesso, o crescimento do país ficou baixo e hoje apresenta profunda crise fiscal e descontrole nos gastos públicos. Salutar porque existe também no mercado e parte da população, um senso antiburocrático que devemos iniciar um Estado com ações mais rápidas e pontuais. Temos hoje um Estado que cada vez mais se depara diante de crescentes atribuições e menores recursos e que necessita também atuar nos fenômenos da globalização e das inovações tecnológicas, que afetam fortemente a lógica produtiva. Hoje devemos adaptar e transferir os conhecimentos gerenciais desenvolvidos no setor privado para o setor público, com uma administração profissional, apresentar indicadores de desempenho explícitos, maximizar a evidência no controle de resultados, separar as organizações públicas em unidades menores, exibir maior competição entre as unidades e administrar com moderação o uso de recursos. Seria administrar o Estado sem o Estado, esse seria novo modelo. Administre seu negócio.  

Dica de Livro

A teoria do crescimento da firma – Edith Penrose Em vez de buscar equilíbrios imaginários em tamanho, em combinação de fatores, ou em preços, Penrose prestou atenção a temas relacionados com o crescimento das empresas, as razões da função de empresas, a sobrevivência das pequenas e médias empresas e na gestão do conhecimento. Para ela, conhecimento empresarial é um recurso básico para a empresa, já que determina os limites na capacidade de gestão e na capacidade de aproveitamento pleno dos serviços que podem prestar os demais recursos disponíveis da empresa. Assim, entender as firmas como conjuntos de recursos humanos dedicados à lucrativa produção de bens e serviços, a autora ressalta a importância do investimento em pesquisas tecnológicas facilitadoras de redução de custos e diversificação de atividades e produtos, por meio das quais se torna possível eliminar obstáculos ao crescimento das empresas. PENROSE, Edith. A teoria do crescimento da firma. Campinas: Unicamp, 2006.