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Lucratividade e Rentabilidade

Atualizado há 2 anos
Lucratividade e Rentabilidade

Foto: Reprodução

Certa ocasião fui contratado para realizar um Projeto Financeiro para uma indústria que buscava diversificar suas ações, com atuação em um novo segmento. A empresa, apesar de ser nova, tinha um belo parque industrial e uma administração bem organizada, com diversos executivos. Pois bem, no dia da reunião de apresentação dos resultados, entrei em uma sala com cerca de vinte gestores de diversas áreas da empresa. Alguns deles eu já conhecia por terem sidos alunos ou trabalhado em organizações nas quais eu já havia prestado assessoria em períodos anteriores. Mas, a empresa tinha um detalhe, a cúpula era totalmente familiar. A grande maioria dos gestores responsáveis pelas áreas era de irmãos, filhos ou sobrinhos dos principais diretores. Essa é uma questão bastante comum nas pequenas e médias organizações. Ter uma gestão familiar que não misture as relações e laços de família com sua atuação na empresa, com trato com demais colaboradores e, que possa basear suas decisões somente em critérios de gestão e profissionalismo. É o ideal, mas nem sempre é atingido. O diretor financeiro era uma pessoa agradável, bastante dedicada ao negócio e tinha a confiança da diretoria e dos demais gestores. Ele havia trabalhado em outro segmento, e quando se aposentou começou a trabalhar na empresa, a convite da diretoria. Eu não o conhecia profissionalmente, tive apenas duas reuniões que me deram a impressão que relatei. Basicamente, minhas agendas na empresa aconteceram com um de seus auxiliares diretos, um jovem profissional que conheci em outra organização, na qual fizemos um projeto semelhante. Fiquei bastante tranquilo em relação ao trabalho, pois conhecia a capacidade deste auxiliar e sabia de sua competência para análise e tomada de decisão, uma vez que ele tinha determinado conhecimento teórico em finanças, era um jovem talento. Bom, iniciei a reunião. Já estava acostumado que com esse tipo de apresentação, sabia que muitos questionamentos seriam realizados, em virtude de poder apresentar algum conflito com os demais setores e não somente no financeiro. Assim, tentei abordar e demonstrar na apresentação, assuntos dos departamentos que poderiam ou não dar aprovação ao projeto, como o impacto na folha de pagamento, da logística, da legislação pertinente etc. Em determinado momento da reunião iniciei apresentação dos resultados financeiros e dos indicadores projetados, e entre eles estavam os de rentabilidade e de lucratividade da empresa com essa possível realização do projeto de investimento. Para minha surpresa, e talvez de outros dos que estavam na reunião, aquele diretor financeiro me questionou perguntando o que era lucratividade e o que era rentabilidade. Inicialmente pensei que eu havia trocado os percentuais dos indicadores em questão ou o comentário sobre os mesmos. Assim, retomei a explicação, verificando que havia apresentado os mesmos de forma correta. Novamente apresentei os dados e percentuais relativos à lucratividade e rentabilidade, aproveitando para ampliar meu comentário sobre os mesmos, demonstrando diferenças em linhas gerais do que seriam esses dois conceitos. Antes de continuar ele me interrompeu novamente, dizendo que realmente não sabia qual a diferença entre os conceitos e que eu abordasse com maior precisão. Na hora fiquei surpreso, pois um profissional que ocupava aquele cargo dentro de uma organização daquele porte, e que deveria quase que semanalmente tratar daqueles indicadores e ter esses conhecimentos bastante ampliados, não sabia do que se tratava. Por alguns segundos fiquei parado. Então resolvi olhar mais para o meio da mesa e vi aquele jovem, auxiliar direto daquele diretor que eu conhecia. Olhei e o rapaz que me olhava abaixou seu olhar e em seguida, em um movimento lento, abaixou também sua cabeça ficando totalmente inerte. Houve trocas de olhares e percebi que o diretor financeiro me olhava de forma fixa. Neste instante percebi que teria de adotar uma estratégia diferente na apresentação, pois além dele poderia ter outras pessoas naquela sala que desconheciam os conceitos que estávamos abordando. Como contribuição, a lucratividade é obtida com relação às vendas realizadas e é apresentada na DRE – Demonstração de Resultado do Exercício - em determinado período ou em relação à receita de um novo produto. Já rentabilidade apresenta o resultado de determinado investimento para os sócios da organização, ou seja, o retorno do investimento. Uma empresa, por exemplo, pode ter lucro e não ser rentável para seus acionistas. Assim, para o sócio é importante que o investimento realizado seja muito bom, com lucro e rentabilidade, para que ele se sinta animado e continue a investir no seu negócio. Bom, mas no final deu tudo certo. A empresa realizou o investimento, lucratividade e rentabilidade foram obtidas e apresentaram bastante similaridade com nossos cálculos do planejamento e, por fim, fiquei sabendo mais tarde que após algum tempo o diretor foi substituído por aquele seu auxiliar direto. Não sei se a apresentação contribuiu para esse fato, talvez sim, talvez não. Sei que a empresa decidiu passar por um processo de profissionalização no seu comando, diminuindo a presença familiar. Mas para mim ficou muito claro que muitos conceitos ainda não são conhecidos por diversos profissionais, independentemente de cargo, escolaridade ou experiência profissional. Administre seu negócio.  

Dica de Livro

Princípios de Administração Financeira – Lawrence J. Gitman Um clássico dos livros em finanças, Princípios de Administração Financeira ajuda a entender de fato os conceitos e as técnicas da área e demonstra como aplicar diversos conceitos, ferramentas e técnicas da administração financeira nas decisões financeiras. GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. São Paulo: Pearson, 2004.