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📰 Cotidiano

Como o assédio continua atormentando as mulheres no Carnaval

Relatos ouvidos pelo EXTRA.SC ilustram a violência das agressões sofridas

Atualizado há 5 anos
Como o assédio continua atormentando as mulheres no Carnaval

Ao ser perguntada, Bianca* nem consegue se lembrar de todas as vezes que foi assediada ou agredida durante o Carnaval.

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Beijos forçados, puxões, empurrões, entre outros são os citados pela universitária que é mais uma das vítimas de assédio sexual e agressões no Carnaval.

Em Laguna, ela relembra um caso que lhe marcou pela violência. "Eu estava passando em uma avenida e um cara me parou para conversar comigo, puxando meu braço. Eu tirei o braço e passei. Então ele puxou meu cabelo", conta Bianca.

Eliane* também viveu situação parecida. "Eu estava com minha amiga, de boa, e um cara puxou meu braço, tentou me beijar. Eu disse 'cara, eu não quero'. E ele respondeu 'então o que estás fazendo aqui'? Então se eu não quiser beijar na boca eu não posso ir no Carnaval?" afirma.

O drama de Bianca e Eliane é o mesmo que milhões de mulheres sofrem e sofrerão durante o período de folia. Segundo a titular da Delegacia de Proteção à Mulher de Tubarão, delegada Gabriela Tisott Fruet esses crimes ocorrem o ano todo. "No Carnaval, devido à aglomeração, o número de pessoas na rua, acaba ocorrendo mais registros. Mas isso não significa que não ocorra no restante do ano", explica a delegada.

Para Gabriela, é importante salientar que certos atos não são simples paquera, mas sim crimes. "Paquera, que ocorre no Carnaval, é diferente de violência. A violência é quando o outro não aceita o que o primeiro propôs. Paquera é diferente de importunação sexual, de crime, que as pessoas tendem a confundir. No momento que a pessoa demonstrar que não está querendo abraçar, não está querendo beijar, não está querendo ter um tipo de intimidade, ela deve atender à pessoa e não achar que é dona do corpo das outras pessoas", afirma a delegada.

A legislação que trata desse ponto é recente. A importunação sexual está prevista na lei 13.718/18, sendo caracterizada pela realização de ato libidinoso na presença de alguém de forma não consensual, com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro, com pena de um a cinco anos.

Gabriela afirma que para evitar esses crimes é necessário mudar a mentalidade da sociedade. "As pessoas perguntam 'Quais as dicas para evitar'. A única 'dica' para não ocorrer esses crimes é a conscientização do agressor em não praticá-lo. A culpa não é da vítima que usa short ou vestido pro Carnaval, até porque estamos no verão. As pessoas usam as roupas que elas bem entendem. Vira e mexe, o discurso culpabiliza as vítimas. Se os homens saem de bermudas pro Carnaval, porque está quente, as mulheres tem os mesmos direitos. Está na hora de parar de pensar que a mulher provoca, a mulher tem o mesmo direito", finaliza.

*Os nomes Bianca e Eliane são falsos e foram utilizados para assegurar o anonimato e a segurança das fontes.