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A bala de prata – É vencer ou vencer

Atualizado há 2 anos
A bala de prata – É vencer ou vencer
Lembro como se fosse hoje, dia 15 de março de 1990 estava voltando de viagem de Florianópolis dirigindo meu carro e escutando atento o rádio, pois naquele dia ia assumir o novo presidente eleito do país Fernando Affonso Collor de Mello, ou simplesmente Collor. O presidente Collor ficou conhecido por ter sido governador do estado de Alagoas com o apelido de o caçador de marajás. Os tais marajás seriam funcionários públicos daquele estado que recebiam altos salários e não trabalhavam nas suas repartições, os chamados “fantasmas”. Collor demitiu cerca de 2.000 funcionários públicos de Alagoas de uma única vez e isso lhe deu enorme notoriedade nacional para concorrer ao cargo de presidente do país. Já na frente da televisão no dia 16.03.1990, assisti atento à reunião ministerial, transmitida ao vivo de manhã bem cedo (07h30min). Vários ministros na mesa, mas uma em especial se destacava em meio a tantos homens, uma mulher. Uma prima do presidente Collor a Sra. Zélia Cardoso de Mello, a única mulher da equipe de ministros, a ministra da economia. Zélia trouxe na equipe os economistas Antônio Kandir para ser secretário especial de Política Econômica, Eduardo Modiano, como presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e Ibrahim Eris, para cargo de presidente do Banco Central. Tirando Zélia e Modiano que atuaram no setor público, os demais tinham pouca experiência no setor público e na gestão executiva. O Brasil estava na época em moratória desde ano de 1987, ou seja, o governo suspendeu todos os pagamentos dos juros da dívida externa brasileira. Assim não tinha qualquer possibilidade de obter novos financiamentos externos e, para ajudar, sem nenhuma reserva cambial. Estávamos em uma hiperinflação de 1.972% ao ano, só a inflação em fevereiro de 1990 foi de 80%. Com uma inflação acumulada dos últimos cinco anos de 1.062.000%. O setor público estava se deteriorando e o setor privado totalmente angustiado, sem saber o que fazer. Era preciso fazer algo e, Collor e Zélia fizeram. Foi lançado naquela manhã de 16 de março o “Plano Brasil Novo”, depois chamado de Plano Collor I. Um pacote econômico e administrativo. O pacote econômico baseava-se em um tripé com proposta de ajuste fiscal, reforma monetária e política de rendas. Já o pacote administrativo apresentava “saneamento moral” (quem roubasse no setor publico seria preso por cinco anos; que acabara o ágio e etc..), modernização economia, reforma do estado e privatizações. No discurso algumas frases de efeito, a primeira era “agora é vencer, ou vencer!”. E, a segunda “temos de matar o tigre da inflação e só temos uma bala de prata”. O pacote econômico é o que deixou todo mundo pasmo. Primeiro a reforma da moeda de Cruzados Novos (NCz$) para Cruzeiro (Cr$), até aí tudo bem, mas aconteceu o chamado confisco dos depósitos bancários. A ideia era de ter um bloqueio da liquidez, ou seja, sem dinheiro circulando no mercado não existe consumo e sem consumo a inflação cai. Mas a proposta pegou todos de surpresa, aqueles que usavam o dinheiro para produção de bens e consumo, geração de empregos e produção agrícola. E, também para aqueles que especulavam principalmente os grandes aplicadores do overnight (conjunto de aplicações financeiras feitas no mercado aberto em um dia, para resgate no dia seguinte ou no próximo dia útil). Todos estavam no mesmo balaio, e não podia. A ideia inicial era somente colocar esses últimos em um confisco, mas resolveram colocar todos e daí a coisa desandou. O confisco foi realizado com o bloqueio dos valores acima de 50 mil cruzados novos da época (hoje em torno de R$ 18 mil) para devolução após 18 meses e de forma ainda parcelada. Lembro-me das opiniões, comentários e ações. O cenário que foi apresentado ao comércio em geral, aos empresários e aos nossos amigos e familiares. Mas, aconteceram situações extremas, teve gente que enfartou ou cometeu suicídio e naquela manhã e faleceu, conheci três casos. E, muitos casos de empresas ou pessoas físicas que nunca mais conseguiram se erguer. Um dia a esperança no outro bem cedo no café, o choque da realidade para todos. O pacote teve suas contribuições principalmente para o Plano Real, ideias ali foram utilizadas. O Plano Brasil Novo trouxe a abertura da economia e algumas outras ações que foram benéficas ao país. Bom, o restante desta história muitos já conhecem, mas queria lembrar que tanto em uma empresa ou na economia de um país, se bem gerenciada, no longo prazo terá resultados e sustentabilidade. Ações emergenciais, talvez só resolvam uma parte do problema no momento, pois em 1991 tivemos o Plano Collor II. Administre seu negócio.  

Dica de Livro

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Porter é a maior autoridade mundial em vantagem competitiva. Neste livro descreve como é possível impulsionar toda a economia de um país com empresas competitivas. As respostas encontradas por Porter são ricas tanto para as empresas como para os governos. Um livro indispensável para todas as futuras discussões sobre competição global. A escolha de um ambiente, o leque de atividades da empresa, produção, marketing são examinados em conjunto, fornecendo uma prática perspectiva para um meio empresarial cada vez mais competitivo. PORTER, Michael E. Vantagem Competitiva das Nações. Rio de Janeiro: Campus, 1989.