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Cresça, mas cuidado para não ser tão rápido

Atualizado há 2 anos
Cresça, mas cuidado para não ser tão rápido
Certa ocasião atuamos em uma indústria que apresentava um mercado de crescimento significativo, basicamente em torno de 20% ao ano. Ela detinha certa fatia de mercado nacional, mas em sua geração de caixa existia desajustes ocasionados por elementos que limitavam o crescimento. O proprietário majoritário era um sujeito prático e focado no negócio, como dois outros sócios que atuavam nas vendas e na produção. Em nossa reunião inicial nos falou a seguinte expressão, que basicamente, tornou-se a tarefa que deveríamos fazer naquela organização: “Quero e preciso crescer!”. Na Gestão temos estudos que vão desde Edith Penrose em 1959, aos de Igor Ansoff com sua matriz Produto-Mercado de 1977, muito utilizada no marketing e de diversos outros autores que abordam o crescimento de empresas em seus estudos. Pois bem, de forma específica existem diversas formas de crescimento de uma empresa. Temos os modelos de crescimento: interno, de integração horizontal e vertical, de diversificação horizontal e vertical, alianças estratégicas e de fusões. No caso daquela indústria o modelo que era e que deveria ser seguido era o modelo de crescimento interno. Esse modelo pode ser obtido pelo: resultado do crescimento nas vendas, lucros e participação no mercado, ou ainda, um aumento do valor da empresa (CERTO 1993; ALDAY, 2000; WRIHGT, KROLL, PARNELL, 2000). Bom, aumento do valor da empresa e de sua maior participação no mercado naquele momento seria algo difícil. Poderia ser possível no longo prazo. O que sobrava era apenas a opção do aumento de vendas e dos lucros e isso passava obrigatoriamente pela geração de caixa. Utilizar financiamento externo seria outra opção, mas que aumentaria a dívida e consequentemente iria diminuir o valor da empresa. Então possivelmente poderia não resolver o problema, e sim criar um novo, em função dos desajustes no caixa. Temos aqui um alerta os empresários, as empresas que crescem de forma rápida podem fracassar nesta proposta de crescimento. Por quê? Ao estimular um crescimento demasiadamente rápido é comum empresas perderem o controle sobre o fluxo de caixa tornando-se vulneráveis a oscilações periódicas do mercado. A opção que adotamos foi do crescimento autofinanciável de Churchill e Mullins (2001), ou seja, o financiamento da própria organização. Essa metodologia chamada de Self-Financeable Growth (SFG) mede três fatores: (i) do tempo que o dinheiro de uma empresa fica parado nos estoques antes de haver pago bens e serviços; (ii) da quantidade de dinheiro necessária para financiar cada real (ou quilo) em vendas; (iii) da quantidade de caixa gerado por cada real (ou quilo) de venda. Quando esta ferramenta é aplicada corretamente a empresa consegue nortear-se se apenas por meio da receita que gera, sustentado o seu crescimento sem precisar de fontes externas. Caso o mercado esteja crescendo a taxas maiores que a taxa sustentada pela companhia, recomenda-se acompanhar o mercado com três ações: acelerar o fluxo de caixa, reduzir custos ou aumentar os preços. Cada uma destas “alavancas” ajuda a gerar o caixa necessário para impulsionar um rápido crescimento. Conseguimos o crescimento desejado e após alguns anos, a empresa obteve crescimento em função de outro método: o da integração, mas isso é para outra oportunidade. Administre seu negócio.  

Dica de Livro: Davi e Golias – de Malcom Gladwell

Trata-se um livro sobre o que acontece quando gente comum enfrenta gigantes, e os vence. Por gigantes queremos dizer oponentes poderosos de todos os tipos – de exércitos e grande guerreiros, grandes empresas, ou até mesmo pessoas com deficiências, infortúnios ou oprimidas. Cada capítulo narra a história de uma pessoa diferente – famosa ou desconhecida, comum ou brilhante, que enfrentou um desafio descomunal e foi forçada a reagir.

GLADWELL, Malcolm. Davi e Golias: a arte de enfrentar Gigantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.